A ideia começou a nascer quando percebemos que não era a distância, nem o número de dias para a travessia que iriam impedir levar avante o projeto.

Um dia cheguei ao nosso local de trabalho e disse ao Quim:
– Quim, começa a pensar em alguma coisa, por etapas, que ligue o Norte ao Sul de Portugal. Qualquer coisa para 14 dias, mas com oitocentos e poucos quilómetros.

O Quim, o maior defensor deste projecto, deu tudo o que tinha e apresentou algo com pouco mais de 800 km. Estava ali a prova. Um trabalho perfeito. Distâncias, desníveis, locais de paragem, unidades hoteleiras existentes, preços, pontos de interesse e até tempos médios para os mais lentos, os intermédios e para os “Joões Oliveiras“das Ultramaratonas.

Estava na altura de ouvir o nosso conselheiro ultramaratonista. Enviámos tudo ao David. Tudo mesmo, o mais completo que tínhamos. Dias depois toca o telefone e percebo que é ele. Sento-me confortavelmente porque sei que as nossas conversas são demoradas, e os assuntos, como as cerejas. Resumidamente o que o David disse foi:
– Boa ideia, mas com publico restrito. Uma coisa que gostaria de fazer um dia.

O que retive? “Paulo, quem faz 860, faz 1000. E 1000 tem outro impacto. São quatro dígitos.”

– Quim, o David disse que 1000 era melhor. Com mais impacto. Trabalha qualquer coisa, com nexo, com sentido que ultrapasse os mil quilómetros.

Dias depois traz-me uma proposta com 1001 km. Hoje chama-se Portugal Countryside.

Vai um copito?

Fotografia: Thiago Diz

 

Escrito por: Paulo Garcia, Diretor de Prova
Fotografia superior e de pré-visualização: Agnelo Quelhas